Medo
Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.
Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.
Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.
Fazia frio em São Paulo…
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.
Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.
Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas
do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.
E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.
O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.
Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes…
Fiéis herdeiros do medo,
eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.
”O Medo” de Carlos Drummond in “A Rosa do Povo”, José Olympio Editora 1945
”Qual o teu maior medo”, costumava perguntar aos pequenos leitores. A maioria respondia que é o medo da morte. E eu me perguntava se seria uma inquietação generalizada ou seria medo da própria morte. Passei a buscar então a entidade que simboliza este sentimento, o medo. A mais próxima é o deus grego Pã, pânico. Devorei na época “A História do Medo no Ocidente” de Jean Delumeau, Cia das Letras. Ficou claro que o tema é recalcado no mundo ocidental mas ‘bem’ utilizado pelas entidades religiosas.
Medo é paixão das mais dolorosas.
fonte: banco de img do Flikr.

A violência é o que mais me atemoriza, tenho muito medo de me deparar com o mal em forma de gente. Não tenho medo de morrer, mas tenho medo da morte. Ah, já me deparei com o medo de ser feliz, como se a felicidade viesse sp acompanhada de algo terrível. Haja psicanálise para esses casos.
Tal como a própria morte, o medo é inevitável… Não conheço uma pessoa sequer que não tivesse alguma vez medo de alguma coisa (apesar que não conheço tanta gente assim…). As reações são as mais diversas possíveis como fugir, ter vergonha, não aceitar, enlouquecer, violentar, agredir e um rol de etc do bem e do mal. Por isso encarar o medo é tarefa das mais humanas, não só vendaval passageiro, é dos verbos mais temidos, porque sofrido, mas tempo único, imperativo, humanize!
MEDO
…eterno companheiro do ser humano nos momentos bons e alegres,tristes ou maus.
…manifestação da nossa insegurança frente às situações habilmente manipuladas por outrem, portanto, cruel instrumento de PODER E DOMINAÇÃO.
Eu tenho medo de ter medo, porque quando se teme alguma coisa, ela acontece simplesmente pela lei da atração.