imigrantes

                  O que mais nos aproxima – eu, você e enorme porcentagem dos brasileiros – é o fato de sermos descendentes de imigrantes. Em seguida, o de estarmos imersos no mesmo caldeirão , resultado de almágama das várias etnias e culturas que convergiram ao continente sul americano.

                 Estou no momento recolhendo retalhos para recuperar a saga espanhola que, em mim, é mais forte do que a portuguesa. Segui sugestão da amiga e bati à porta do Memorial do Imigrante na estação Bresser do metrô e lá vivi momentos de comoção, verdadeira catarse.  Emprestei meus sentidos às pessoas que já se foram.

                       

                 Em 1912 meus avós deixaram a Espanha com duas meninas a tiracolo em busca de melhor clima na tentativa de salvaguardar a saúde dele, então aos 34 anos e ela, aos 28. Foi neste edifício que se hospedaram antes de seguir viagem ao noroeste paulista onde  cumpririam o programa da imigração, ou seja, trabalhar no cultivo do café. Contrato vencido foram cuidar de suas próprias terras. Outras quatro crianças nasceriam no Brasil, entre elas meu pai. Visitar as dependências da hospedaria do imigrante, ávida pela conexão com o passado, me fez plena de conteúdo. Estava ali pelas certidões de desembarque mas embrenhei-me numa viagem de volta a um passado que me pertence. É o que tenho feito desde então, navego em busca de mais imagens que possam compor esta odisséia.

                          

                 Jesus Arroyo Montero e Bráulia Montero Jimenez viviam no pequeno povoado, Peraleda de San Román, perto de Cáceres no oeste da Espanha. Herzeleyd  fotografou-o e colocou em seu Flickr. Sorte a minha.

                     

                Saritah contribui com esta tomada. Hoje são 400 os habitantes da pequena Peraleda de San Román. Fiz um videozinho em memória dos meus antepassados, dos Arroyo Montero Jimenez. Recuperar seus nomes originais, datas marcantes e o bisavô, Zolo Arroyo, me deixou nostálgica e orgulhosa. Desta região espanhola sabe-se ser de um povo lutador. Deixá-la e conquistar a América, este, seu maior desafio. Palavras de Jose, guia turístico madrilheno.

 

             PS: ao dar busca no Google Espanha uma surpresa. O alcalde de Peraleda de San Román é Arroyo!!!

8 Responses to “imigrantes”

  1. Belíssima homenagem aos seus…que para cá vieram, lutaram e venceram, deixando como legado alguém muito especial….VOCÊ!

  2. Nossa, Beth, que estória linda! Muito bom vir aqui e matar as saudades. Beijo! Isa

  3. Que linda aventura! Imagino as suas emoções nesse resgate muito bem documentado. Momentos ímpares nas nossas vidas que valem a pena ser registrados. Parabéns!

  4. Os imigrantes do século XX foram os grandes “colonizadores” do Brasil. Em sua bagagem havia paixão, trabalho, cultura e muita coisa boa, transformaram muito por aqui. Homenageio a todos estes valentes.
    Sinto muito orgulho de ser descendente deles, não dá para não ficar emocionado com esta belíssima postagem, muito bem escrita. O video ficou maravilhoso.
    Valeu maninha.

  5. Belas e prazerosas descobertas. É como se a grande memória, aquela que vai além de nossa vida pequena, essa que nos fez descer ao planeta, viesse à tona e nos fizesse reviver a experiência. Então, seria possível reviver aquilo que não vivemos, sentir coisas que não passamos? Estará o nosso DNA impregnado das memórias de nossos antecessores? A julgar pelas emoções afloradas com sua busca e expressão, diria que não apenas em você, mas em mim corre também o sangue com essas moléculas marcadas, vestígios de outros tempos, não vividos, mas revividos…
    Amei o vídeo, a música, as fotos

  6. Olá Beth! (posso chamá-la assim?)

    Eu também sou brasileira, ou seja, “mistureba”…rsrsrs
    A família do meu pai também emigrou de Espanha, mas a família da minha mãe
    é uma mistura avassaladora de indígenas com europeus… não sei como vingamos..hehehe

    Linda história, lindas memórias!!

    Beijos

    p.s. Sou a Lusófona (fotothing)

  7. Hola soy de peraleda de san roman. me llamo celestino carbonero. mi bisabuelo se llamaba celestino arroyo y mi abuela juliana arroyo. vi tu blog por casualidad y me parecio curioso. voy a intentar buscar informacion sobre tu abuelo, e intentaré enviartela, si no te parece mal. ahora vivo con mi familia en francia po lo que puedo tardar algo de tiempo. tienes una pagina del pueblo en http://www.peraledadesanroman.es/
    un saludo

  8. ps. el alcalde de peraleda es mi tio evelio carbonero


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