memória
‘Só as lembranças resistem ao Tempo’. Guardo na minha o semblante de Lara, Julie Christie em “Dr Jivago”, o filme. Seu olhar, principalmente. Revi-a recentemente, aos 63, em “Longe Dela” no papel de Fiona, direção canadense sobre o mal de Alzheimer. Bonita, ainda! Olhos, cabelos e silhueta admiráveis.
Umberto Eco, 76, relata que lembranças de sua infância, até mesmo as julgadas esquecidas, visitam-no de assalto ultimamente. Umberto Eco ‘canta, recita, conhece citações inteiras de memória’, interessa-se pelas novas tecnologias e se diz ‘quase feliz’ pelas lembranças remotas.
Tenho conversado com meu passado e graças à memória acesso aquilo que já não é mais. Se a ‘cera’ de Platão, a que guarda as impressões do passado não derreter-se muito cedo, a elefanta aqui bate em retirada levando consigo as boas e más lembranças.
Em todos os casos, Fiona, Umberto Eco, eu, você… caminhamos inexoravelmente para o fim.
Por associação imagética cheguei a Michael Strang. Suas pinturas & minhas reminiscências, ainda!

Muito feliz e belas as associações que fez com as imagens! Se o fim é inexorável, pois o tempo que ora temos perceptível é linear e implacável, a memória é a única que nos salva. Escreveu Durand, algo genial, “longe de interceder a favor do tempo, a memória, como o imaginário, se ergue contra os semblantes do tempo, e assegura ao ser, contra a dissolução do devir (devenir), a continuidade da consciência e a possibilidade de voltar (revenir), de regressar, para além das necessidades do destino.” Continue a nos brindar Elizabeth… Suas recordações e associações são geniais!
Se não tivéssemos esse armazenamento mental, como tiraríamos proveito das nossas experiências? Você está utilizando a sua para fins artísticos, viajando nas imagens retratadas em sua mente, muito legal.