Revolution
Você está acompanhando o BBB desta temporada? A rapaziada – entre os 20 e 30 anos – interpreta um mundo cor-de-rosa. Eu observo sua faixa etária por ser aquela em que estão ex- alunos, que conheci em sua adolescência, e pelos meus sobrinhos. Sei que não cabe estudo comparativo – Brasil/USA – mas, como o espírito de uma época acaba respingando no planeta!…
Então! Vendo o BBB e tendo visto ‘Juno’ me pergunto: a inconseqüência está no ar?…Estes jovens, frutos de nossa geração (esta que está passando, ai!), que floresceram na pós derrocada de antigos valores ( derrocada essa exigida por nós, geração passante, em tempos idos), não devem ser responsabilizados, creio eu. Ambos estão sob uma égide, o espírito de nossa época. Alguém se propõe a caminhar na contra correnteza?
Tanto Diablo Cody quanto nossos ‘intérpretes’ do BBB estariam falando a mesma língua? Movidos a hedonismo?
Longe da leitura moralista (fugimos dela na tentativa de um olhar científico, metodológico) me pergunto: foi pra isso que fizemos a revolução?
Maria Adelaide do Amaral, “Queridos Amigos”, nos retrata – geração 60/70 – como emotivos chorões. Buaaa! Será que tem algo a ver com os rebentos de hoje? Tudo, agora, com facilidade e estar feliz a qualquer preço?!…O ovo plantado naquele então gerou ‘Juno’ e quem mais se propuser a contar. Nada melhor do que ouvir histórias.

Olá, Beth, já trocamos emails sobre Juno; no mais, tenho muitos amigos feitos pelo orkut que nunca vi pessoalmente e de todas as faixas etárias. Digamos que a tendência, em nível social e em termos de “massa” é essa inconseqüência que você citou — e, infelizmente, essa massa é bem representativa. Mas há de tudo no mundo, claro. Conheço pessoas na faixa 20/30 que está estudando filosofia, citando Niesztche (desculpe, sempre esqueço a grafia certa deste nome), procurando um trabalho na área em que gostaria de atuar, sem delírios, pensando na remuneração mas também no bem-estar, ou seja, pensando no presente e no futuro e não só no presente. O presente é o grande palco dos irresponsáveis, que não conseguem ver longe. O que seria Juno II? Pode imaginar, as cabecinhas, todas elas, como ficam? Enfim, é a velha história, não podemos evitar a dor, mas podemos em muito evitar sofrimentos. Enquanto se tatuam, colocam piercing e se preocupam com o rebolado da Beyoncé, será que não há algo aí que foi esquecido e que seria fundamental? Eis o que me pergunto. É a coisa americana do “felicidade já”, uma ilusão. A vida é feita de felicidades e infelicidades. Os do BBB querem a felicidade gorda, recheada de champanhe à beira da piscina, um milhão no bolso (ou bens materiais imediatos — viu como ficam felizes ao ganhar qualquer bem material lá dentro?) e o resto é só o resto. O tempo dirá. Beijo!
Vou usar o argumento de
“a culpa é da geração dos meus pais”para explicar porque minha incompetência (ou muita competência) e irresponsabilidade (ou responsabilidade aos extremos) interfere nos meus resultados. É bem justo culpar meus pais por eu ainda morar com eles e não porque não tenho recursos o sufiente pra começar meu “castelinho de pedra” por conta própria.Parece simples passar a bola pra outro, isso não me foi permitido. Assim, eu não pertenço a lugar nenhum!
Apesar que pertencer a nenhum lugar é fato, sendo responsabilidade dos meus pais ou não… rs
Beijos!
Não assisti Juno ainda (infelizmente), nem vejo Queridos Amigos, e sequer BBB… Mas olho e convivo com jovens, uns muito jovens, outros nem tanto. Vejo que a fila anda! Isto no sentido da evolução do mundo, da comunicação, do consumo. Reservada esta evolução e o crescimento exponencial da população, que muitas vezes nos assusta por não termos capacidade de ver a totalidade, mas apenas o que está na mídia, ainda somos os mesmos, e todos os que vierem serão os mesmos. O poeta foi sábio em cantar que
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal…
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como Os Nossos Pais
Quando Elis Regina foi questionada sobre o que queria para sua filha Maria Rita (anos 80), emocionada respondeu: – que seja feliz. Assim como ela, todos nós procuramos facilitar esse objetivo. Se hj constatamos que a geração é movida a hedonismos, só podemos dizer que realmente ainda somos os mesmos.
Não sei quem é Milena, mas li com emoção o que ela disse, porque um dia eu já me senti “sem lugar nenhum”; o remédio foi limpar passado num bom divã e ir à luta, ao invés de ficar lamentando o leite derramado. O homem é o sujeito de sua própria História, já disse Lacan.
Oi Isa,
Minha relação com o “não pertencer a lugar nenhum” é bem tranqüila porque se arrasta com o passar dos anos e, eu, me adaptei a isso (já que qualquer mudança não era a melhor escolha).
Nem precisei de divã! Ao menos não o divã tradicional.
Abraços!