Eterno Retorno
Você consegue imaginar Londres assim? Suja, infectada, poluída. Dickens descreveu-a e nós nos emocionamos com seus órfãos e mães solteiras em total desamparo naquele então. Feelings! Com eles apenas, não sobrevivemos. Haverá sempre batalha social-econômica a ser ‘domada’.
E no Brasil, num futuro distante, possível será que adolescentes mal formadas em seu bio e, até lá quem sabe, bem formadas intelectualmente e bem assistidas socialmente possam elas interromper o ciclo de povoar o planeta com os rebentos de seus úteros ambulantes? Hoje são crianças botando crianças no mundo e, pior, sem casais dispostos a adotar.
A cultura americana, rica e poderosa, produziu “Juno” - o filme – com pouca grana. O retorno está na casa dos milhões. A roteirista Diablo Cody, a não acadêmica jovem mulher, 29, escritora, blogueira, ex-stripper, cuja obra é acessada por milhões de ‘visitantes’ ganhou ‘o’ prêmio. Foi aceita ‘merkadológicamente’. Votamos nela. Ela, a personagem Juno, 16, nasceu numa sociedade em que as regras estão dadas: ao se ver grávida, assume, aborta ou entrega o fruto para adoção. Regras estas que, provavelmente, não serão mudadas no ínfimo espaço/tempo de sua vida. Realidade de Juno, enfim.
Creio que, ao filme não cabem julgamentos morais nossos, latinos. Lá é lá. Aqui é aqui, Haiti.
Stop para a natalidade descontrolada. Save Gaia!Cena Final. Ellen Page (Juno) e Michael Cera (candidato a namorado).

Não sei se algum dia o aborto será dado como legal aqui – Haiti – também não sei se seria uma solução para salvarmos o planeta. Sei que os valores universais são os que regem nossas atitudes (dogmas?), e dar um filho com tanto desprendimento chega a ser igual a jogá-lo na lagoa. Isso é julgamento moral? Só sei que gostei do filme por assisti-lo como se propõe: uma comédia. Acho que deveria terminar com aqueles avisos do Ministério da Saúde, tipo: meninas, não façam isso em casa.
Em tão pouco tempo a casa está mobiliada e pronta para receber amigos e idéias ideais (como se fosse possível).
Bjos.